29 SET 2026 · por A. Fausto Giungato
Tóquio: Alcaraz defende o título contra Michelsen
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O Japan Open de Tóquio, um ATP 500 que começou na segunda-feira, 28 de setembro, já tem o seu quadro e algumas histórias para contar. Carlos Alcaraz, campeão em título, estreia contra Alex Michelsen, que nunca enfrentou. Na outra metade, Frances Tiafoe, segundo cabeça de série, joga contra Kei Nishikori, que disputa em Tóquio o último torneio da carreira.
O quadro foi publicado pela ATP, que coloca Alcaraz como primeiro cabeça de série. Para o espanhol é o regresso ao court depois dos quartos de final do US Open, onde perdeu com Ben Shelton em cinco sets: 6-7(5) 6-1 6-3 1-6 7-6(7). Um jogo decidido no tie-break do quinto set, depois de quatro rondas superadas sem grandes dificuldades.
O caminho de Alcaraz em Flushing Meadows tinha sido, de facto, tranquilo: 6-4 6-4 6-4 a Roman Safiullin na estreia, depois Jaime Faria em quatro sets, 6-3 6-4 6-1 a Yibing Wu na terceira ronda e 6-4 6-3 6-4 a Tommy Paul nos oitavos. A ATP aponta Paul como possível adversário nos quartos em Tóquio, desde que passe a estreia contra Alejandro Tabilo.
Michelsen é o primeiro obstáculo, e não é um obstáculo qualquer. O norte-americano chegou em Nova Iorque aos primeiros quartos de final de um Grand Slam, travado apenas por Tiafoe em cinco sets (5-7 3-6 7-5 6-3 7-6). Chega a Tóquio confiante e sem precedentes para estudar: segundo a imprensa internacional, é uma primeira ronda muito dura para um campeão em título. Quem passar encontra Matteo Arnaldi ou o convidado Rei Sakamoto.
No ranking, Alcaraz é n.º 4 com 4.560 pontos, segundo a página do jogador: Ben Shelton, terceiro, está 120 pontos à frente, enquanto Félix Auger-Aliassime, quinto, está 670 atrás. Em Tóquio, o espanhol só tem uma maneira de não perder terreno: repetir o título de 2025, que vale 500 pontos e expira com a edição de 2026. Cada ronda conta e o que está em jogo é claro desde o primeiro dia.
A final do ano passado foi contra Taylor Fritz, que derrotou por 6-4 6-4. Agora Fritz é o cabeça de série n.º 3 segundo a ATP e está na mesma metade que Alcaraz: uma meia-final seria a desforra dessa final. Antes, porém, tem de vencer um qualificado na primeira ronda e, eventualmente, Lorenzo Musetti na segunda.
Fritz tem 300 pontos para defender, os da final de 2025: o californiano é hoje n.º 13 com 2.580 pontos, a 64 de Rafael Jodar (12) e 205 acima de Tommy Paul (14). No US Open perdeu na terceira ronda com Francisco Cerundolo, em cinco sets (3-6 4-6 6-3 6-4 6-4). Tóquio faz-lhe bem: ganhou aqui em 2022, vencendo Tiafoe por 7-6(3) 7-6(2) na final, e em 2025 voltou ao último jogo.
A outra metade do quadro é a de Frances Tiafoe, n.º 8 do mundo com 3.370 pontos, a 265 de Flavio Cobolli (7) e 220 acima de Arthur Fils (9). Desde 7 de julho subiu 11 posições graças a um verão sólido: a final de Cincinnati, perdida com Fils por 6-3 1-6 6-0, e a meia-final do US Open, alcançada depois de vencer Daniil Medvedev nos oitavos e Michelsen nos quartos, antes de cair diante de Shelton (4-6 6-3 6-3 7-5).
A estreia de Tiafoe, porém, é uma noite à parte. Do outro lado da rede estará Nishikori, de 36 anos, que recebeu um convite para terminar a carreira em casa, num torneio que venceu duas vezes, em 2012 e 2014. Segundo a ATP, chegou a n.º 4 do mundo e ganhou 12 títulos. Para o público japonês será uma noite de emoções; para Tiafoe, uma tarefa ingrata e uma das mais delicadas do seu quadro.
Na mesma zona está Brandon Nakashima, quinto cabeça de série, enquanto Valentin Vacherot, vencedor em Xangai em 2025, defronta Alexander Blockx. Nakashima defende 90 pontos dos quartos do ano passado, tal como Aleksandar Vukic, Sebastian Korda e Holger Rune; Casper Ruud e Jenson Brooksby, meias-finalistas em 2025, têm 180 cada um para defender.
O regresso de Rune é uma das histórias do torneio. O dinamarquês joga o primeiro torneio ATP desde que rompeu o tendão de Aquiles em outubro, como relata a ATP. Hoje é n.º 260 com 210 pontos, depois de uma longa ausência do circuito. Chegou às meias-finais de Tóquio em 2024 e os quartos do ano passado valem-lhe 90 pontos para defender, com uma estreia contra Kyrian Jacquet.
Jacquet sabe chegar longe num torneio: o francês é n.º 74 com 781 pontos, subiu 34 posições desde 9 de setembro e na semana passada chegou às meias-finais em Hangzhou, onde perdeu com Andrey Rublev por 7-6(0) 6-1. No caminho tinha vencido Aleksandar Vukic na terceira ronda e Fabian Marozsan nos quartos, por isso Rune vai enfrentar um adversário confiante.
O torneio tem também um jovem para acompanhar. Rafael Jodar é n.º 12 do ranking e, segundo a ATP, nono na corrida em direto para Turim e primeiro na Next Gen Race. O primeiro jogo é contra um qualificado e, se o quadro respeitar os favoritos, poderá cruzar-se com Tiafoe nas meias-finais. Tóquio é assim também uma pequena montra na luta por um lugar nas Nitto ATP Finals.
O quadro de honra dá uma ideia de quão aberto é este torneio. Em 2025 venceu Alcaraz contra Fritz, em 2024 Arthur Fils derrotou Ugo Humbert por 5-7 7-6(6) 6-3 e em 2022 Fritz superou Tiafoe em dois tie-breaks. O que está em jogo é claro: 500 pontos para o campeão, 300 para o finalista, 180 para os meias-finalistas, 90 para os quartos, 45 para os oitavos e 10 para quem cai na terceira ronda.
E agora? Alcaraz-Michelsen e Tiafoe-Nishikori são os jogos a marcar no programa da primeira ronda. Veremos se o espanhol consegue recomeçar a partir dos quartos de Nova Iorque e se o público de Tóquio poderá oferecer a Nishikori pelo menos uma última vitória. No papel, Alcaraz-Fritz na meia-final é o caminho mais provável, mas nos torneios 500 as previsões têm vida curta.